sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Ibaneis tenta se descolar de Master e atribui responsabilidade a ex-presidente do BRB

 BRASIL

Imagem de Ibaneis tenta se descolar de Master e atribui responsabilidade a ex-presidente do BRB

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), tem repetido a estratégia de defesa adotada após o ataque golpista de 8 de janeiro e dito a aliados que, no caso do Banco Master, apenas confiou no ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa. O executivo é formalmente investigado pela Polícia Federal por operações feitas pelo BRB com o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Dois integrantes do governo e um dirigente partidário relatam que, em conversas de bastidor, Ibaneis diz estar tranquilo, apesar do avanço da investigação, porque acreditava na avaliação feita por Paulo Henrique sobre o Master.

No ataque de 8 de Janeiro, Ibaneis disse que havia confiado nas informações do então secretário interino de Segurança Pública, Fernando Oliveira, e atribuiu a falha ao então secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, que está preso.

No caso de Paulo Henrique Costa, Ibaneis tem usado como exemplo a relação dele com o secretariado. O governador afirma que costuma delegar tarefas aos subordinados e acreditar em suas decisões. Com Paulo Henrique e o BRB, não teria sido diferente.

Na visão dele, Paulo Henrique fez com que o Banco de Brasília mudasse de patamar e ganhasse projeção nacional. Diante de um histórico de atuação aparentemente bem-sucedido, não teria por que questionar a decisão do BRB de comprar o Banco Master.

Com as revelações sobre a conduta do executivo e a crise do Master, Ibaneis diz demonstrar surpresa com os desdobramentos da investigação e com a necessidade de injetar recursos no BRB para cobrir prejuízos causados pelo Master —que, segundo o depoimento à Polícia Federal do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, hoje está estimada em R$ 5 bilhões.

Na última semana, diante da informação de que teria conversado com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Ibaneis disse à TV Globo que seu único erro foi ter confiado em Paulo Henrique.

"Em momento algum, nas quatro vezes que o encontrei [Vorcaro], tratei de assuntos relacionados ao BRB/Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique", disse o governador à emissora.

Após a operação que afastou Paulo Henrique e prendeu Vorcaro, em novembro do ano passado, Ibaneis também disse que houve "excesso de confiança" e que o ex-presidente do BRB precisaria se explicar.

"Eu debito essa operação que aconteceu e esse fato que aconteceu com o ex-presidente Paulo, que eu tenho por ele um carinho enorme e uma confiança enorme, ao excesso de confiança no crescimento do banco. Mas isso ele que vai ter que se explicar com as autoridades competentes", disse a jornalistas na ocasião.

Procurado pela Folha, o ex-presidente do BRB disse que não iria comentar informações repassadas por terceiros e que o tema foi tratado no depoimento à Polícia Federal, no STF (Supremo Tribunal Federal) —divulgado na íntegra na quinta-feira (29).

A interlocutores, Paulo Henrique tem dito que quer ter a oportunidade de apresentar uma defesa técnica baseada em fatos e tem se mostrado incomodado com a tentativa de colocar o BRB como um cúmplice do Master.

"As aquisições de carteiras de crédito originadas pelo próprio banco Master se iniciaram em julho de 2024, antecedem qualquer discussão societária e sempre se inseriram no curso ordinário das atividades bancárias, em linha com a estratégia de gestão de ativos e passivos e com o planejamento estratégico aprovado pelos órgãos de governança, observados os ritos e instâncias decisórias competentes", diz nota divulgada pela defesa dele.

Tanto o Governo do Distrito Federal quanto o BRB alegam ter sido vítimas na operação frustrada de compra do Master. Um auxiliar de Ibaneis afirma que houve um erro de avaliação por parte do governo. Ele diz que o banco apostou em transações que se mostraram ineficientes em um primeiro momento e, agora, também irregulares.

Mesmo tendo sido afastado do governo após o ataque de 8 de janeiro de 2023, Ibaneis tem enfrentado hoje a maior crise política desde que chegou ao cargo, em 2019, na avaliação de parlamentares do Distrito Federal.

O governador é pré-candidato ao Senado e tenta emplacar sua vice-governadora, Celina Leão (PP), como sucessora. Na terça-feira (27), ele reafirmou a intenção de disputar uma das vagas de senador e disse acreditar que seu projeto político será vitorioso.

Em depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro, Paulo Henrique disse que "costumeiramente prestava contas" ao acionista controlador (o Governo do Distrito Federal) na figura de Ibaneis.

"Eu fazia pontos de controle com ele e reportava as iniciativas que a gente tinha do banco. Ou seja, um papel meu, de prestação de contas, que eu não levaria adiante uma operação, uma tentativa de aquisição de um banco sem que isso fosse comunicado ao acionista controlador", disse o ex-presidente do BRB.

Enquanto a compra do Master pelo BRB ainda estava sob análise do Banco Central, Ibaneis criticou opositores e defendeu enfaticamente o negócio.

Em março, Ibaneis afirmou à Folha que não misturava política com questões técnicas do banco e ironizou seu antecessor, o hoje deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB). "Quase quebraram o BRB na gestão deles. Recebemos a chave da Polícia Federal na época do Rodrigo Rollemberg", declarou.

Em setembro, o governador disse que o veto do BC à operação colocaria em risco o sistema financeiro nacional. "Nós não estamos comprando risco, estamos comprando uma oportunidade. A questão do risco para o sistema financeiro é porque, com a demora, esses ativos deles [Master] vão se deteriorar", afirmou.

Com a dobradinha entre Ibaneis e Paulo Henrique, o BRB passou a participar cada vez mais do governo do DF: assumiu desde a gestão da Torre de TV, um dos cartões postais da cidade, até a operação do sistema de bilhetagem do transporte público.

Nacionalmente, o banco ganhou visibilidade a partir de uma parceria com o Flamengo, time de Ibaneis, para criação de um banco digital. Desde 2022, o BRB também detém o "naming rights" (direito de nome, em português) do Estádio Nacional Mané Garrincha.

Sob nova direção, o BRB contratou uma auditoria independente para apurar as operações feitas com o Master na gestão de Paulo Henrique, o que inclui a compra de R$ 12, 2 bilhões de carteiras de crédito fraudulentas, a sua devolução e depois a transferência de ativos do banco de Vorcaro.


Por Thaísa Oliveira e Adriana Fernandes/Folhapress

domingo, 25 de janeiro de 2026

O recado de Michelle a Nikolas para moderar tom de protesto

 POLÍTICA

Primeira-dama e outros integrantes do clã Bolsonaro acreditam que neste momento é preciso evitar ataques frontais a Alexandre de Moraes e ao STF para que Bolsonaro tenha chances de cumprir pena em casa

Imagem reprodução Portal do Amazônas


A caminhada iniciada por Nikolas Ferreira (PL-MG) fez a família de Jair Bolsonaro enviar recados ao deputado mineiro temendo que a situação do ex-presidente se complique ainda mais. Os Bolsonaro, especialmente a ex-primeira-dama Michelle, pediram para que fosse adotado um tom mais ameno na manifestação, sem críticas contundentes ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, para não complicar as chances de uma transferência de Bolsonaro para o regime domiciliar. 

O pedido foi feito após a audiência de Michelle com Moraes, em que ambos trataram dos sucessivos requerimentos dos advogados de Bolsonaro para que o ex-presidente possa cumprir pena em casa. 

Para a ex-primeira-dama, um tom menos beligerante de Nikolas e dos demais participantes da caminhada, programada para chegar neste domingo, 25, em Brasília, pode ajudar. Na linha oposta, uma escalada nas críticas ao ministro e ao Supremo poderia prejudicar a tentativa.


FONTE: PLATÔ BR

 


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Vinho do Porto Raro de 80 Anos Chega ao Brasil por R$ 20 Mil a Garrafa

MUNDO

Apenas 20 garrafas do Porto Menin 80 Anos serão vendidas em pré-venda exclusiva

Divulgação   Menin Porto Tawny 80 Anos é mais do que um rótulo raro: é um testemunho vivo do tempo

O topo do mercado de bebidas vive um paradoxo interessante. Enquanto faixas mais acessíveis sentem oscilações econômicas, a categoria Super Premium e acima — rótulos que custam mais de US$ 30,50 (cerca de R$ 175) por garrafa de 750 ml — continua crescendo de forma consistente há 20 anos, com apenas pequenas pausas em 2009 e em 2020, segundo a consultoria IWSR.

É nesse andar de cima que começam a surgir as chamadas joias líquidas.
Um dos exemplos mais emblemáticos desse movimento acaba de pousar no Brasil: um vinho do Porto com 80 anos de envelhecimento, elaborado pela Menin Douro Estates, em edição hiperlimitada. 

São apenas 20 garrafas destinadas ao país, parte de um lote global extremamente restrito, com preço sugerido de R$ 20 mil cada, em pré-venda exclusiva pela Menin Wine na Wine Trader, marketplace especializado em vinhos raros e bebidas de coleção.

Joias líquidas e o novo código do luxo

Por trás desses números está uma mudança de comportamento no alto luxo. Entre consumidores de altíssima renda, cresce a devoção a garrafas produzidas em microescala, adquiridas menos como investimento financeiro tradicional e mais como indulgência máxima.

Essas joias líquidas ocupam o mesmo território simbólico de peças de alta relojoaria, obras de arte e carros de coleção: são objetos de prazer, status e narrativa. Não se trata apenas de “ter” uma garrafa rara, mas de possuir uma história — e decidir quando, como e com quem ela será aberta.

“O céu é o limite quando falamos de joias líquidas”, observa Paulo Cesar Oliveira, sócio da Wine Trader. “Em um ambiente em que o capital financeiro já não diferencia, cresce a busca por capital cultural e social. É sobre a história por trás da garrafa, o acesso privilegiado, a certeza de possuir algo que poucos terão. Nesse universo, o vinho deixa de ser apenas bebida e passa a ser linguagem social”, diz.

Porto 80 Anos: tempo engarrafado

Guardado por décadas nas caves do Douro, em Portugal, o Menin Porto 80 Anos é elaborado a partir de vinhos selecionados ao longo de oito décadas e envelhecidos em casco. A vinícola o apresenta como um testemunho vivo do tempo, mais próximo de um patrimônio líquido do que de uma bebida do dia a dia.

São oferecidas duas versões de 500 ml, ambas com design que reforça a exclusividade. O Tawny 80 Anos tem tonalidade âmbar profunda, com aromas de caramelo salgado, especiarias, noz-moscada e laranja confitada. Em boca, textura sedosa, acidez equilibrada e final prolongado.

Já o branco 80 Anos é ainda mais raro, com base sobretudo em vinhos do Baixo Corgo, primeira sub-região produtora da área demarcada do Douro. Mostra notas de casca de cítricos, chá branco envelhecido, flores secas e um leve toque salino, em um perfil descrito como sofisticado e instigante.

Do ponto de vista de serviço, a recomendação é tratá-lo quase como um ritual. O ideal é servir sem acompanhamento a uma temperatura de 12°C.

As entregas estão previstas para meados de março, após a pré-venda, reforçando a lógica de acesso controlado e curadoria. Guardado por décadas e agora revelado em quantidades limitadas, o Porto 80 Anos da Menin Douro Estates funciona como um símbolo do novo luxo contemporâneo: tempo, memória, escassez e a disposição de transformar tudo isso em taça.


FONTE: FORBES